Estrangeirismo usado pelos jovens na Internet prejudica nossa língua?
A professora de inglês da AESPI-FPPD,
Márlia Socorro Lima Riedel, mestre em
Letras pela UFPI, realizou um estudo
motivado pelo Projeto de Lei (PL) n.º
1676/99, de autoria do deputado Aldo
Rebelo, que visa a restringir o uso de
palavras estrangeiras no Brasil e obriga
o uso da língua portuguesa por todos
os brasileiros e estrangeiros que aqui
residem há mais de um ano.
O PL, se aprovado, regerá o
uso da língua portuguesa no ensino
e aprendizagem, no trabalho, nas
relações jurídicas, nas expressões
orais, escritas, audiovisuais e
eletrônicas oficiais e nos eventos
públicos nacionais, bem como
nos meios de comunicação de
massa, na publicidade de bens,
produtos e serviços com o objetivo
de defender, proteger e promover
a língua portuguesa no Brasil.
Tal projeto propõe, inclusive,
sansões administrativos para quem
descumprir qualquer disposição
da referida lei. O projeto tornou-se
objeto de polêmica entre o seu autor
e alguns linguistas.
Com base neste PL, o objeto de
estudo da pesquisadora foi mostrar
a contribuição dos ‘empréstimos’
para a língua portuguesa e analisar
o léxico inglês (anglicanismos)
usado na linguagem cotidiana
dos adolescentes, além de tecer
críticas ao PL. Em torno da delicada
questão da proteção da língua da
pátria contra o perigo supostamente
representado pela invasão dos
chamados “estrangeirismos”, Márlia
Riedel afirma que o PL “cheira” a
antidemocracia e acrescenta que o
inglês tem adentrado, cada vez mais,
na vida dos brasileiros e isto não
ocasiona nenhum prejuízo à língua portuguesa.

O estudo, intitulado “Os
anglicanismos usados na linguagem
dos adolescentes em salas de batepapo
na internet” foi realizado com
alunos de escolas públicas e privadas,
utilizando questionários e visualização
de conversas, nas salas de batepapo,
pela internet. Desta forma, a
pesquisadora constatou que não havia
diferenciação entre os alunos, todos os
jovens utilizavam a mesma linguagem,
sem gerar prejuízos a nossa língua,
fato considerado como modismo,mas também como processo natural,
além disso, a professora constatou
que muitas dessas palavras já estão em
desuso e outras novas surgindo.
Através da pesquisa, podese
verificar que os jovens que
frequentam salas de bate-papo na
internet se comunicam usando
anglicanismo. Constatou-se que dos
115 anglicanismos
encontrados nas
conversas, 36 são de
uso técnico, 18 são deáreas específicas, como
comércio, esporte, moda
e música, e 31 são de uso
comum. Apenas 30 deles
estão mais diretamente
ligados à linguagem dos
adolescentes a exemplo
de look, baby, bye, big,
news, friends, love,
dentre outras.

Márlia Riedel
verificou que os
anglicanismos são
usados , de modo
mais freqüente e em
maior número, pelosadolescentes das classes média e alta
e acredita que isso seja devido ao
acesso mais fácil à informação e ao
computador. A pesquisadora ainda
comenta que os jovens são motivados
a usar anglicanismos, pois para eles,
usar inglês “está na moda”; além
disso, alguns desses anglicanismos
coletados concorrem com seus termoscorrespondentes em português. “A
língua é influenciada pelos modismos
que fazem parte da cultura de uma
sociedade em determinado momento
de sua história”. Ela acrescenta que“o processo de incorporação de
empréstimos na língua é contínuo,
confirmando a busca de renovação
e integração de uma sociedade, pois
nunca existiu e nunca existirá uma
língua homogênea que jamais tenha
recebido contribuições de outras
línguas”.
Por outro lado, a pesquisadora,
que está fazendo doutorado em
Educação em Assunção, no Paraguai
pelo Mercosul, chama atenção para
linguagem utilizada no meio virtual,
em que as palavras foram abreviadas
até o ponto de se transformarem em
uma única expressão, com duas ou
no máximo três letras, havendo o uso
restrito de caracteres e desrespeito às
normas gramaticais. E alerta “é uma
realidade que ultrapassou as fronteiras
da internet. Agora, a preocupação é como a escrita está sendo usada
e até que ponto pode influenciar no
aprendizado e na comunicação entre
as pessoas. “Trata-se da linguagem
conhecida como internetês, que surgiu
entre os usuários de bate papo e está
sendo levada para o cotidiano das
pessoas”, pontuou Márlia.
Profª. da Faculdade Piauiense de Processamento de Dados - FPPD/AESPI
ridel@ig.com.br
Fonte:
Sapiência - Informativo Científico da FAPEPI
Teresina-Pi, Março de 2009 - Nº 19 - Ano V
ISSN - 1809-0915
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